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Autocrítica

Engraçado como as coisas acontecem.

Quando eu tinha 17 anos, observava que a vida era nada mais que tomar as atitudes corretas perante as situações que enfrentamos. E pra mim, que era extremamente orgulhosa da minha suposta racionalidade adquirida durante a adolescência, era o que fazia sentido. Eu só tomava ações certas quando estava em difíceis situações; e quando não acontecia (o que era muito raro na vida da Jaque de 17 anos), lá estava eu para admitir meu erro – o que era o certo, afinal de contas.

Quando eu tinha 17 anos, também assumi que, fosse a situação que fosse, jamais iria me surpreender com os erros dos seres humanos (me incluindo aqui), porque, presos em suas próprias vaidades, nada restava a eles a não ser errar. É o fardo que o Homem carrega – ter vaidade e falhar na vida. A solução era única: se livrar de si mesmo e decidir tomar atitudes corretas.

Ademais, quando eu tinha 17 anos, era uma aluna brilhante, com ótimas notas e todo o resto que isso envolve. Tinha meus amigos perto de mim, e era o que eu queria ser. Pode-se dizer que a Jaque de 17 anos era completa e enxergava a vida com uma clareza sem tamanho.

No entanto, a Jaque de 17 anos morreu. Obviamente, outra veio ocupar seu lugar – esta última só carregava a lembrança da primeira, algo como uma saudade brega de toda certeza que um dia teve.

Quando eu fiz 18 anos, me senti a pessoa mais sozinha do mundo. Não que eu não tivesse amigos, mas depois dos 17 cada um segue o seu rumo, e tudo bem, mas o fato de não poder compartilhar minhas dores com outra pessoa na mesma situação de maneira próxima me feriu demasiadamente.

Então, quando eu tinha 18 anos, tive contato com algumas visões de vida que abalaram todas as certezas que eu ainda carregava. A primeira, pode-se dizer que era a resignação perante a vida e TODOS seus aspectos. Caramba, eu só tinha 18 anos, não precisava me conformar tão facilmente com tudo… mas aconteceu e eu desisti de qualquer forma de mudança que eu poderia exigir de mim ou dos outros.

O segundo ponto de vista – talvez relacionado com o primeiro, como uma consequência – é o niilismo existencial. E como isso foi ruim pra mim. Alimentei meus pensamentos com literatura niilista e caí na mais profunda falta de esperança.

Depois dos 18, não consegui mais ter outro tipo de pensamento a não ser que estamos – todos, e também estou inclusa – fadados ao fracasso humano de sermos nós mesmos. Egoístas, vaidosos e ridículos, com muitos “lutando” por utopias que jamais se realizarão. E como eu odeio pensar nisso. E como eu me odeio por não saber mais o que fazer com a vida – a não ser gastar o tempo que me resta com as bobagens da vida acadêmica; escrevendo de vez em quando para não enlouquecer (como diz o Bukowski S2); e lendo/ouvindo algumas coisas legais pra me sentir menos solitária (além do Buk, eu ando curtindo o Pessoa e o Belchior ultimamente. E o livro Claro Enigma, do Carlos Drummond de Andrade, cujos poemas ficam ecoando constantemente na minha cabeça). Mesmo assim, fico perplexa em perceber como nada mais me agrada e tudo me entedia.

Escrevi esse texto porque pensei nisso quando acordei hoje, em como a Jaque do passado não era perfeita pra eu sentir tanta falta dela (sim, eu sentia falta dos meus 17 anos); e em como eu me tornei extremamente pessimista. Pois é. Bem ruim, eu sei. Bem ruim.

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Domingo – Eu, Gilbert e Leminski

Certo.

Uma vez eu estava assistindo “Gilbert Grape: Aprendiz de sonhador”, um dos meus filmes favoritos, e em uma cena a Becky pergunta pro Gilbert “O que você quer pra você?”. Ele hesita, mas responde “Eu quero ser uma pessoa boa.”

Eu também Gilbert, eu também. Ao mesmo tempo, sinto que necessito descobrir quem eu sou, porque sei que em algum lugar do tempo/espaço, eu me perdi, e estou tentando achar o caminho de volta.

Eu tenho estado triste pelas minhas últimas atitudes aqui no mundo. É como se eu não estivesse sendo o que gostaria, e nem me esforçando para tal.

Bom, hoje eu estava a fim de ler um poema, e encontrei um do Paulo Leminski bom:

tenho andado fraco

levanto a mão
é uma mão de macaco

tenho andado só
lembrando que sou pó

tenho andado tanto
diabo querendo ser santo

tenho andado cheio
o copo pelo meio

tenho andado sem pai

yo no creo en caminos
pero que los hay
                hay

Me identifiquei com esse.

Então, somos eu, o Gilbert e o Leminski nesse domingo.

Espero que você, leitor, esteja bem nesses tempos sombrios.

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Escrevendo… escrevendo…

Bom, ultimamente eu ando empolgada e ao mesmo tempo ansiosa. A ansiedade vem pelo fato de que minhas aulas iniciarão na próxima semana, e eu já estou estressada só em pensar nisso. Decidi aprender francês nesse semestre, o que é bom, porque eu sinto que fazia tempo que não me dedicava a algo novo.

A empolgação vem do fato de que daqui 7 dias será meu aniversário de 21 anos. Esse ano eu dispensei o pensamento de que envelhecimento é uma coisa que nos aproxima da morte – ideia que me dominou no mesmo período do ano passado.

Apesar de tudo, sinto que estou mais adepta às mudanças e, principalmente, com mais vontade de conversar com as pessoas – algo surpreendente, visto que nos últimos anos me tornei cada vez mais antissocial.

Enfim, senti vontade de escrever algo aqui porque adoro ler o que as outras pessoas estão escrevendo por aí, despretensiosamente.

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Recentemente, o que me aconteceu

Bom, resolvi escrever esse texto pois já estou há algumas semanas sem postar nada, e queria colocar aqui as coisas que aconteceram na minha vida:

  • Mudei de casa. Sim!!! Após 20 anos (desde que nasci) morando no mesmo lugar, alterei meu endereço. Estou bastante feliz com isso, pois é de fato um lugar e uma casa melhor – conquista maior ainda para os meus pais. Apesar de que mudanças de casa geralmente são estressantes por causa de burocracias e da bagunça que isso causa (já faz um tempo e ainda tem algumas caixas a serem abertas), tudo vale a pena [“se a alma não é pequena”, já diria Fernando Pessoa]
  • Criei um canal no YouTube. Sim!!! Depois de anos falando e falando e falando que iria fazer, eu fiz. Só tem um único vídeo por lá na data que este texto está sendo postado, mas pretendo soltar no mínimo um vídeo por semana mesmo. É um canal poético, onde eu, sra. Jaque, declamo poemas/textos. O primeiro que eu escolhi foi “Prece por um padre”, da maravilhosa Clarice Lispector.
  • Tive minha redação criticada negativamente (mais uma vez) em um trabalho acadêmico. Pois é. Nem sei o que dizer direito, mas gostaria de pontuar que durante toda minha vida escolar, minha escrita acadêmica não foi duramente criticada – sendo muitas vezes elogiada por alguns. No entanto, recebi sérias avaliações negativas três vezes na vida: em uma redação que eu zerei quando estava no cursinho pré-vestibular; em uma prova de História Medieval, em que a prof. descreveu meu texto como “extremamente confuso”; e recentemente, em um trabalho de História das Ciências no Brasil, a prof. apontou diversos erros de redação. Em um primeiro momento, me sinto extremamente burra e me pergunto o que é que eu estou fazendo, pois a academia intelectual não parece ser meu lugar. Passados os primeiros ânimos, percebo que só me resta uma coisa: estudar mais, me esforçar mais, entender onde estou errando e melhorar – não tem como fugir disso.

Fora estes três aspectos principais, há algumas coisas que eu gostaria de contar, porém que se tratam mais do futuro – então deixarei para revelar quando forem realidades concretas.

Uma observação: ainda estamos sofrendo com a pandemia, infelizmente. Há um mês, toda minha família se infectou com o vírus e ficamos trancafiados em casa por 2 semanas. Nesse ínterim, só tenho a agradecer a Deus por todos nós termos tido uma ótima recuperação, e não precisarmos ter ficado internados no hospital.

Por hoje é isso.

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Poemas

Recuperação

para Manuel Bandeira


Caderno, lápis, computador e preocupações noturnas.
O semestre inteiro que podia ter sido e que não foi.
Tédio, tédio, tédio.

Mandou um e-mail para o professor:

- Aceitarei até as 23h59.
- 21h... 22h... 23h...
- Vou corrigir.

....................................................................

- O senhor não entregou um trabalho e a prova não foi suficiente.
- Então, professor, não é possível tentar a recuperação?
- Não. A única coisa a fazer é ouvir a melodia musical brasileira.
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Querido Deus #23

Querido Deus,

Até aqui o Antônio tem sido uma pessoa bem importante na minha vida, apesar dos pesares. Eu fico feliz ao conversar com ele, e triste quando ele se mostra triste.

Obrigada por ter me dado ele como amigo.

Amém.

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Querido Deus #22

Querido Deus,

Hoje foi um dia bom. Fiquei com a mente ocupada todo o dia – isso é muito bom, evita que eu pense besteiras. Limpa meus pensamentos, Jesus.

Tenho pensado em voltar a acompanhar futebol.

Hoje, sou grata por ter conseguido fazer as tarefas da semana conforme o planejado; pelas conversas com meu sobrinho Carlos; e por ter ficado menos ansiosa hoje.

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Querido Deus #21

Querido Deus,

Hoje foi pior que ontem – estou totalmente desanimada. Totalmente. Estou me sentindo um lixo que anda e fala.

Apesar de saber que o ser humano sofre por causa do pecado, eu não quero viver em um mundo terrível como este. Tanta sabedoria humana acumulada, mas ninguém realmente se importa com o próximo (generalizei. Há pessoas que se importam de verdade).

Peço que me dê força para suportar e sabedoria para agir corretamente.

Peço também que na hora da minha morte, ali nos instantes finais, haja uma boa mão humana para segurar a minha.

Amém

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Querido Deus #20

Querido Deus,

Hoje foi um dia até que bom. Estou com planos: fazer uma lista com 30 coisas para fazer antes dos 30. Acho que será um desafio legal.

Jesus, abençoa a Flávia Calina. Ela é muito legal, de uma maneira genuína.

Toma conta do país, estamos todos precisando. E olha pelos refugiados também.

Amém.

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Querido Deus #19

Querido Deus,

Me senti mal hoje. Na noite passada eu tive insônia, dormi mal, acordei com dor de cabeça.

Me desculpa Jesus. O Senhor sabe pelo quê. E é por quase todas minhas atitudes.

Ajuda o Antônio, ele está triste também.

Minha cabeça está um turbilhão. Muita coisa pra fazer, e eu continuo errando; perdi a conta já.

E orei, e orei outra vez, e tornei a orar, e continuei orando sem me importar que alguém entrasse no meu quarto e parasse para olhar, eu quis gritar Seu nome, mas tinha vergonha de fazê-lo, se é que alguma vez a tive, se é que estivesse sendo ouvida, talvez eu estivesse machucada, tudo ficara muito confuso, ideias misturadas, tremores, água das lágrimas e sal e saliva do meu corpo sujo gasto exausto orando feito louca por minha alma cansada, era tudo um sentimento só, eu continuava orando e continuava chorando sem parar, mas eu não ia mais querendo gritar, no meu quarto, eu só estava sentada na cama fazia muito tempo, depois de fazer o que não devia, tão escuro agora que eu sentia medo, nem conseguiria fazer outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar orando orando orando orando orando orando orando por minha alma cansada.