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Um aniversário da infância

Lembrei desse episódio quando estava conversando com meu colega de faculdade, Lucas, sobre o aniversário dele na próxima semana. Logo, meu cérebro me trouxe a recordação do dia 18/04, no ano de 2005 ou 2006 (não tenho certeza). Só sei que eu ainda era criança, e ainda estava na pré-escola.

Nessa época, por algum motivo peculiar (mas especial), as crianças gostavam muito de ficar em primeiro lugar nas filas, quando a professora pedia para que fizéssemos uma. Mas, como eu disse, as crianças gostavam muito de ficar em primeiro lugar, e isso acabou virando uma disputa em que pequenos seres humanos realmente brigavam por isso.

Como uma forma de aliviar as tensões, a professora deixava que os aniversariante ficassem em 1º lugar na fila – um grande privilégio em um grande dia do ano.

Mas, não sei por que, naquele meu aniversário eu fui uma criança diferente. Primeiramente, eu não lembro dos meus pais me falando que aquele dia era meu aniversário, mas eu sabia que era.

Então, no início da aula na pré-escola, minha professora indagou os alunos: “Quem está fazendo aniversário hoje???”, olhando pra mim e aguardando uma reação. Mas eu não reagi, porque na minha mente eu só pensava “não… não é possível… dentre tantas crianças não pode ser que hoje seja o MEU aniversário.”.

Quando a professora revelou que era eu a pequena aniversariante, eu não soube como reagir. Não demonstrei uma alegria suprema ou algo do tipo.

No dia do meu aniversário, eu não sabia como enfrentar aquela data que não tinha muito significado pra mim… então eu simplesmente esqueci disso.

No dia do meu aniversário, eu não fui a primeira da fila.

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Escrevendo… escrevendo…

Bom, ultimamente eu ando empolgada e ao mesmo tempo ansiosa. A ansiedade vem pelo fato de que minhas aulas iniciarão na próxima semana, e eu já estou estressada só em pensar nisso. Decidi aprender francês nesse semestre, o que é bom, porque eu sinto que fazia tempo que não me dedicava a algo novo.

A empolgação vem do fato de que daqui 7 dias será meu aniversário de 21 anos. Esse ano eu dispensei o pensamento de que envelhecimento é uma coisa que nos aproxima da morte – ideia que me dominou no mesmo período do ano passado.

Apesar de tudo, sinto que estou mais adepta às mudanças e, principalmente, com mais vontade de conversar com as pessoas – algo surpreendente, visto que nos últimos anos me tornei cada vez mais antissocial.

Enfim, senti vontade de escrever algo aqui porque adoro ler o que as outras pessoas estão escrevendo por aí, despretensiosamente.

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Querido Deus #17

Querido Deus,

A novidade é que eu voltei a falar com o Antônio – expliquei pra ele o porquê estava magoada e ele se desculpou. Desculpei ele e pedi perdão também. Estamos bem de novo.

Tem sido tempos difíceis. Há racismo. Há ameaças de fascismo. Há pessoas lutando por liberdade. O Senhor deve estar magoado com o ser humano faz um tempo né? Conseguimos destruir todo esse mundo perfeito que o Senhor nos deu por causa da nossa vaidade; e criamos a fome, a desigualdade social, somos corruptos. Somos vaidosos. E para quê? Só para alimentar nosso ego terrível. Por favor Jesus, tire de mim a vaidade que me afasta dos Teus planos. Me dê força para lutar contra o que é ruim.

Graças a Deus eu tenho minha família e amigos – poucos porém suficientes e verdadeiros. Obrigada.

Obrigada por eu ter o que vestir, o que comer, onde repousar minha cabeça e esse papel e essa caneta. Obrigada pela vida.

As aulas voltaram (de maneira online), e eu estou bem cansada pra ser sincera. Mas vou seguindo no meu planejamento.

Eu penso muito sobre a vida, sobre ela ser essa sucessão de fatos doces e amargos, aleatórios. Sobre haver um futuro e ele ser uma astronave que tentamos pilotar.

Afora isso, tenho em mim todos os sentimentos, e pensamentos, do mundo.

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Querido Deus #10

Querido Deus,

Muita coisa vem acontecendo. Tá todo mundo louco por causa desse coronavírus. Muita gente tem pegado; as aulas estão suspensas; muita gente tem morrido. Ajuda-nos Senhor.

Meu Deus, eu acho que eu nunca vou casar, nem ter filhos. Não sei se é certo/errado pensar assim, mas é o que eu sinto no meu coração. Às vezes eu fico triste, mas fazer o que né? Me acostumar com a solidão.

Mesmo assim, eu penso no Raul. Ele precisa de uma auxiliadora. Mostra a pessoa certa, Jesus, pra ele.

Eu decidi fazer a transferência interna de curso na universidade no início do próximo ano. Vamos ver no que vai dar.

Me perdoa pelos meus pecados.

Amém.