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Do que se trata a vida?

Cinema e Gastronomia – Julie & Julia – Sobre o efeito transformador  existencial da culinária, sobre o amor. | Quando a Cozinha é um Divã
Cena do filme “Julie & Julia”. Dirigido por Nora Ephron, 2009.

Pois é, do que se trata? Acredito que há uma resposta correta, mas ela acaba se manifestando de maneira singular pra cada indivíduo.

Se você for ler meus posts dos últimos 3 anos, vai perceber algumas coisas mais bad vibes, apesar de que nesse mesmo tempo eu venho tentando convencer a mim mesma a abandonar o pessimismo. No entanto, tem sido sem sucesso por enquanto.

Queria dar um sentido pra minha vida, alguma coisa que me incentivasse a continuar acordando todos os dias sem pensar “não acredito que vou ter que viver mais um dia”. Queria um desafio, qualquer coisa que ocupasse minha mente com algo que não fosse a faculdade. Podia ser uma coisa boba, ou algo importante, mas que me ajudasse nem processo de abandono do niilismo existencial.

Ano passado eu tentei fazer um diário-oração, em que eu contava pra Deus sobre o que eu estava sentindo naquele dia, o que havia se passado etc. Disse pra mim que ia fazer isso todos os dias por no mínimo 3 meses. Sem sucesso. Alguns desses registros foram postados aqui, na Série Querido Deus (https://aventurasdepoeta.wordpress.com/category/serie-querido-deus/).

Então, pensei em me desafiar tipo a Julie do filme “Julie & Julia”, que postava todo dia em um blog suas experiências na cozinha, realizando os pratos da Julia Child. É um bom filme, e eu queria ter a mesma sensação dela, e a mesma persistência.

Quem sabe a vida seja uma série de desafios que nos propomos a encarar e vencer.

Esse é o post de hoje. Talvez o meu desafio seja voltar amanhã e escrever algo diferente. Talvez… talvez…

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Querido Deus #9

Querido Deus,

Tenho tanta coisa para falar, tanta coisa que eu penso.

Andei conversando com o Raul. Ele é tão diferente de mim. Ele é mais liberal, mas tem mais fé que eu. Às vezes eu fico pensando porque raios eu não fui a fundo nos projetos da igreja. Mandei mensagem pra ele, e ele disse que ia responder no dia seguinte. Tô esperando até agora. Li um poema do Manuel Bandeira, chamado “Cantiga”, e lembrei dele. “Nas ondas da praia/Quem vem me beijar?”; “Quero ser feliz/Nas ondas do mar”. Foi escrito em 1936.

Outro dia eu entrei no grupo de História do Facebook e uma garota já formada estava falando sobre os desafios de ser professora. Que dá vontade de chorar todo dia. Que sempre haverá o aluno que vai te xingar, ou o aluno que não quer te ouvir e passa a aula de costas pra você, te ignorando. Eu tenho medo disso. Quando eu tinha 11 anos decidi ser professora inspirada na professora Marília, que me dava aula de História, e que eu amava. Mas eu queria ir além. Eu queria dar aula na Fundação Casa, para menores infratores, mas não tenho mais esperança. Eu tenho medo e pena daqueles garotos.

“Você sabe o que é frustração? Máquina de fazer vilão”, já dizia os Racionais.

Fiquei mais em dúvida sobre o que eu quero fazer da minha vida.

Meus pais ultimamente falam em mudar de cidade, mas nada é muito claro. Eu não queria, mas se eles forem eu vou ter que ir junto. Eu fico pensando no esforço que eu tive pra passar na universidade pública, no Raul, no Antônio, e em tudo que São Paulo já me ofereceu. Mas não tem jeito, eu só vou sair da casa dos meus pais quando casar, e talvez nunca ocorra.

Minha irmã vai ir embora. Vai deixar saudade, mas vai sentir também. O pai do meu sobrinho abandonou ele. Como pode um pai abandonar um filho? Como pode?